Sobre a coragem…

Quando escrevi o último post sobre a minha decisão de ser mãe solteira, não imaginei que este tema seria tão inspirador para outras mulheres. Partilhei o mesmo na minha conta do IG @notforsalebyif e foi surpreendente a quantidade de likes (nunca tinha tido tantos likes nas fotos que publico), de mensagens de parabéns, de admiração, de reconhecimento, a partilha do meu post nos seus stories e as mensagens privadas que recebi de pessoas que nem conheço, que sentem o mesmo que eu ou que têm uma estória parecida, mas nunca tiveram coragem de dar o passo. O meu texto tocou vários corações também, que ficaram emocionadas com o que escrevi. Foi bonito.Se já não tinha qualquer dúvida da minha decisão, fiquei de coração ainda mais cheio por inspirar outras mulheres e talvez dar-lhes o empurrão que precisavam para seguirem os seus sonhos.

Na semana passada fui jantar com a minha mãe e uma amiga que ainda não tinha estado comigo e que inclusivamente, ficou emocionada com o meu texto e quando ela me diz “Que coragem Inês!”, a minha mãe sai-se com “Uma pessoa que toma uma decisão destas tem de estar muito bem resolvida. E a Inês levou algum tempo a maturar esta possibilidade…”. Nunca tinha pensado nisto…

Coragem foi de facto, a palavra que mais li e ouvi quando tornei pública esta decisão. Inspiração, força e admiração também. Mas olhando para trás, de facto, percorri um caminho de mais ou menos dois anos onde vivi algumas experiências que estavam sempre a serem colocadas na balança, até chegar aqui. De uma ideia fixa em querer adotar, uma gravidez que teve de ser interrompida por questões clínicas, namoricos em que me entreguei pensando que poderiam ir mais longe, cheguei finalmente à decisão de seguir este caminho sozinha. E se calhar, não tem a ver com coragem mas sim, com o facto de estar muito resolvida mesmo. Não ter pontas soltas nem amarras ao passado ou pessoas, não depender de nada nem de ninguém para tomar as minhas próprias decisões, de estar de consciência tranquila de que fiz as melhores escolhas, de não ter medo de saltar de pés juntos e atacadores amarrados, de estar feliz e bem comigo mesma e de só conseguir olhar para a frente. Quem ficou para trás, ficou porque quis e o que lá vai, lá vai. A idade traz-nos esta clareza e alivia-nos o espírito. Ficamos mais exigentes, mas mais tolerantes/ compreensivos e tomar decisões fica ainda mais fácil.

Portanto, não foi uma decisão corajosa. Foi uma decisão de alguém determinada, segura e resolvida. Não digo que ser mãe solteira e ainda por cima por minha escolha, seja fácil. Mas não fazer determinadas coisas ou tomar algumas decisões por causa de outros, nunca esteve em cima da mesa.

Quando se quer, tudo é possível…

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